Nesta quarta-feira, 15 de julho de 2020, a população de Tabuleiro do Norte foi alçada com surpresa, por um motivo simples, a Câmara Municipal convocou uma sessão extraordinária, o que era algo natural, porém a instituição aprovou um projeto que revoltou a população, este foi de autoria da mesa diretória da casa, teve como relator o vereador Marcos Aurélio de Araújo (PP) e prévia o aumento dos “subsídios”, como foi chamado, para vereadores, secretários, prefeito e vice-prefeito, o novo valor entrará em vigor em 2022.
Na defesa do projeto, o vereador Leyconn Conrado (PSD) afirma que “o reajuste é importante, dentro da legalidade e baseado no reajuste do salário mínimo”, por sua vez Marcondes de Sinério (PTB) afirmou “O povo não entende que o salário do vereador é todo fatiado, o que ele recebe no papel parece que é muito, mas no final do mês não sobra nada”, outro que merece destaque é o vereador Lucieudo Sena (PDT, ex-PT ), que afirmou ser favorável ao fim de salário para os políticos, mas votou favorável ao aumento salarial. O vereador Tona Nogueira (PSD), foi o único que votou contrário ao projeto, a presidente da Câmara, Clênia (PP), seguindo o regimento interno não votou, mas afirmou que caso necessário votaria favorável ao projeto.
Interessante observar que nenhum projeto para redução de salário neste momento de pandemia, chegou a ser pautado ou debatido. Em cidades como Florianópolis, Campo Grande, Salvador, Rio de Janeiro, Santos e São Bernardo, os atuais prefeitos anunciaram corte dos seus salários, de vereadores e de secretários, para enfrentar a pandemia, mas essas são capitais e cidades grandes, totalmente fora da realidade de Tabuleiro não é? Porém, na cidade de Rio Brilhante (MS), com cerca de 26 mil habitantes, o prefeito, Donato Lopes (PSDB-MS), anunciou que reduziria seu salário, o do vice-prefeito e assessores pela metade, além disso, a cidade de Terra Roxa (PR), com pouco menos de 18 mil habitantes, assistiu sua Câmara votar favorável a redução dos salários dos vereadores e do prefeito Altair (PSC-PR). Saliento, que outras cidades não mencionadas aqui também aderiram a essa estratégia louvável. Contudo fica o questionamento, por que essas cidades reduzem os salários dos políticos e a nossa aumenta?
Ademais, em muitos municípios valores simbólicos vêm sendo aprovados como benefícios e auxílios para a população de baixa renda, entretanto, Tabuleiro apenas aprovou a distribuição de kit alimentar na rede municipal, com base na lei 13979/20. Não seria momento de um projeto seguindo dados do Cadastro Único para ajudar quem realmente precisa? Não seria momento de mesclar essas duas propostas e ajudar a população que tem necessitado de atenção, ao invés de votar aumento de salário?
Por fim, estamos em ano eleitoral, temos muitos candidatos novos e muitos que tentarão se reeleger, vote com consciência, pesquise, não caia em fake news, não venda seu voto e lembre dos nomes que votaram pela aprovação desse projeto.
